domingo, 20 de setembro de 2015

Vila Itororó



Esse lugar me fez refletir a semana inteira, como pode isso estar escondido em meio a cidade?
Tenho certeza que muitas pessoas que passam em frente ao galpão - aparentemente abandonado - jamais perceberam o relógio que não anda a partir daquela entrada.
Não tem explicação para as sensações que senti neste lugar, muito menos para tudo que pude absorver diante toda a dificuldade que apenas se sente, e só se sente se você se permitir.

Toda a vila estava parada no tempo em meio a cidade maluca que é São Paulo, acordada vinte e quatro horas e mesmo assim temos uma quadra, da qual conheço, que dorme. Dorme na escuridão de tantas histórias rompidas. Dorme junto as risadas de crianças na piscina. Dorme junto das angustias pela expulsão de tanta gente vivida. Dorme ainda, enquanto é esquecida.

Mas esse sono cessa quando se chega perto, não tem o que fazer diante tanta energia concentrada, a gente simplesmente sente, tudo o que se passou e o que ainda ficou naquela vila. Que é sustentada por estruturas tão precárias, pilares tão finos que parece que tudo vai desmoronar naquele instante, porque é tudo muito instável.

É tudo muito surpreendente por ainda estar de pé, o palecete é um absurdo, com colunas gregas, leões nas entradas, esculturas de mulheres, mas o mais maluco é a quantidade de porta que dá em outra porta, me lembrou muito das aulas de urbanismo, da visão serial de Gordon Cullen, é tudo misterioso, porque eu quis entrar em cada porta daquela, mesmo diante de tanta energia pesada, eu queria me arriscar e descobrir a próxima porta.

E ainda, diante de tudo isso, a vila vive de uma maneira doida, porque ela ensina e eu sei que ensina muita gente, pois vi em cada rostinho que vivenciou aquele momento, que aprenderam algo com a realidade que é a remoção das pessoas, e sei que no fundo é isso que importa.

Que cause estranhamento, mas que impacte.




 












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